Painéis

(P55)

subjetividades flexíveis: migrações, circunstâncias e estruturas

Localização Auditório 2, Ciências Veterinárias (Map 30)
Date and Start Time 10 September, 2013 at 09:30

Co-Coordenadors

Irene Rodrigues (ISCSP-Lisbon Technical University) email
Gleiciani Fernandes (Intituto de Ciências Sociais) email
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Resumo Curto

Este painel tem como objetivo explorar a relação entre experiências migratórias, produção de subjetividades e condicionalismos estruturais.

Resumo Longo

Este painel tem como objetivo explorar a relação entre experiências migratórias, produção de subjetividades e condicionalismos estruturais. Através de diversos contextos etnográficos, pretende-se revelar a relação entre as dimensões normativas e estruturais dos fenómenos migratórios na produção de subjetividades.

Chair: Gleiciani Fernandes e Irene Rodrigues
Debatedor: José Mapril e Simone Frangella

This painel is closed to new comunicação proposals.

Comunicações

O que as move? A intersecção entre os condicionalismos estruturais e as aspirações individuais de três mulheres imigrantes em Portugal

Autors: Marina Galvanese (CES)  email
Elsa Lechner (University of Coimbra)  email

Short Abstract

Esta comunicação tenta responder aos desafios colocados pelo painel, através da apresentação e análise das estratégias migratórias de três mulheres imigrantes em Portugal.

Resumo Longo

Esta comunicação tenta responder aos desafios colocados pelo painel, através da apresentação e análise das estratégias migratórias de três mulheres voluntárias do projecto "Pesquisa das migrações e abordagem biográfica: construindo um trabalho em colaboração no contexto português", coordenado por Elsa Lechner no CES. Vindas, respectivamente, do Brasil, Guiné Bissau e Ucrânia, elas apresentam em suas narrativas auto-biográficas aspirações e expectativas diferentes, associadas a capitais e redes também diversos (internet, redes de sociabilidade no país de origem, etc.) que foram acionados aquando da elaboração dos seus projectos e percursos migratórios. A diversidade destas três experiências permitir-nos-á elencar os factores combinatórios que dão eco à relação, em cada caso, entre expectativas individuais, condicionalismos estruturais, e investimento no projecto migratório. Nomeadamente, serão analisadas as relações entre a questão de género, nacionalidade, conjugalidade, e investimento a posteriori numa inclusão resiliente ou resistente no contexto migratório.

O amor nos tempos da globalização: O caso especifico das mexicanas que migram por amor para Portugal

Autor: Carolina Treto (ISCTE-IUL)  email

Short Abstract

O objetivo desta comunicação é descrever e analisar o fenómeno social das migrações por amor. A diversidade nos encontros amorosos servir-nos para fazer uma etnografia da globalização manifestando-se nas relações amorosas no contexto migratório.

Resumo Longo

Estudar o caso das migrantes mexicanas que viajaram a Portugal na procura e consolidação duma relação amorosa pode conduzir a novos enfoques para entender um fenómeno tão heterogéneo. Através de uma etnografia contextualizada e profunda da experiência diversa e complexa dos vínculos afectivos entre as pessoas no contexto migratório, pretendo descrever e aprofundar as características do que podemos denominar como: migrações por amor. O antropólogo Jordi Roca define-as como um fenómeno migratório que "faz referência à busca e consolidação de um parceiro sentimental transnacional, situa-se no contexto da emergência de uma nova ordem mundial centrada em uma sociedade globalizada onde o consumo e as novas tecnologias da informação e comunicação desenvolvem um papel de destaque e, por outro lado, na transformação dos modelos e das relações de género e do próprio conceito de amor que se produz neste contexto"(Roca 2006). Nas migrações por amor o processo migratório é a consequência da formação do casal. Os casais estudados viveram ou estão vivendo um enamoramento e uma relação de convivência transnacional. constituem uma das demonstrações de novas formas de relação, tanto pela composição do par (mista: cada um dos seus membros nasceu e viveu, e foi socializado no país distinto do outro) como pela modalidade de contacto e aproximação em que se desenvolveu a fase inicial da relação, derivada das actuais condições do nosso mundo que favorecem a mobilidade das pessoas, tanto de forma virtual (redes telemáticas), como física (facilidade de viajar e migrações) (Roca, 2006:230).

Ser brasileira em Portugal: (re) formulando pertenças, (re)construindo identidades

Autor: Gleiciani Fernandes (Intituto de Ciências Sociais)  email

Short Abstract

Esta comunicação tem por objectivo mostrar como as experiências quotidianas vividas em Portugal contribuem para que as imigrantes brasileiras (re)formulem as suas próprias ideias do que é ser brasileira.

Resumo Longo

A presente comunicação tem por objectivo mostrar como as experiências vividas em Portugal contribuem para que as imigrantes brasileiras (re)formulem as suas próprias ideias do que é ser brasileira. Através de uma etnografia realizada desde 2009 com brasileiras residentes em Lisboa, observou-se que a proximidade com outros actores sociais, que possuem suas próprias formas de pensar o Brasil e os brasileiros e, de modo particular as brasileiras, corrobora para que estas imigrantes (re)elaborem as suas próprias ideias de si como indivíduo e como grupo.

Acreditando que as identidades individuais e colectivas são construídas com base numa dinâmica inter-relacional, mostrar-se-á como ser brasileira em Portugal pode ser diferente de ser brasileira em qualquer outro lugar. Este processo depende da intersecção entre maneira como apreendem a história, as suas percepções diante das experiências vividas e as expectativas criadas em torno de como gostariam de ser percebidas na sociedade de acolhimento.

Por fim, tentar-se-á mostrar ainda como recorrem a estratégias de aproximação e de distanciamento do que entendem ser brasileiro e ser português na tentativa de (re)formular pertenças e identificações com o Brasil e com Portugal.

Migrações e deslocamentos de jogadoras de futebol: mercadoria que ninguém compra?

Autor: Mariane Pisani (Universidade de São Paulo)  email

Short Abstract

A proposta deste paper é apresentar parte da pesquisa etnográfica que evidencia as circunstâncias e as peculiaridades em que ocorrem as migrações e transferências de mulheres brasileiras que são jogadoras de futebol.

Resumo Longo

O universo do futebol, bem como o dos esportes em geral, desde sua origem é predominantemente ocupado por homens. Mulheres que praticassem qualquer tipo de modalidade esportiva eram duramente julgadas em sua feminilidade. No Brasil, o futebol de mulheres possui apenas 30 anos de história, contados a partir da revogação em 1979 da lei que proibia as mulheres de jogarem.

Assim como os homens que passam pelos grandes centros de negócio do sistema futebolístico, as mulheres também saem do Brasil em busca de novas oportunidades na carreira, porém, seguem outra tendência, uma vez que elas não fazem, em sua grande maioria, migrações para o continente Europeu. O destino mais visado por essas mulheres é os Estados Unidos da América. E apesar das migrações das mulheres possuírem um fluxo reduzido, se comparado ao fluxo migratório dos homens, o número de jogadoras que sai do país em busca de novas oportunidades de trabalho cresce expressivamente a cada ano. Mesmo que no Brasil a mulher jogadora de futebol seja uma mercadoria sem valor, conforme declara uma atleta da modalidade, no exterior, as brasileiras são lembradas e contratas quase sempre como primeira opção.

Através de um trabalho etnográfico realizado junto a um grupo de jogadoras de futebol do oeste do estado do Paraná - Brasil -, inúmeras questões sobre mercado, redes de contato, deslocamento e migrações emergiram e serão abordadas neste paper.

Des-integrados: percepciones sobre la crisis económica entre los inmigrantes ecuatorianos de Sevilla

Autor: Francisco José Cuberos Gallardo (ISCTE-IUL)  email

Short Abstract

La crisis económica está afectando negativamente a la integración de los inmigrantes en España. Presentamos un análisis sobre cómo los ecuatorianos residentes en Sevilla perciben el impacto de la crisis en su inserción residencial, en su inserción laboral y en la convivencia intercultural.

Resumo Longo

En la ciudad de Sevilla, al igual que en el resto del Estado español, la crisis económica que arranca en 2008 tiene un efecto especialmente negativo entre la población inmigrante. Muchas de estas personas se ven arrojadas al paro, y sufren un serio deterioro de su nivel de ingresos. En este contexto de crisis se producen cambios profundos en la percepción de los propios inmigrantes sobre su lugar en la sociedad receptora. En esta comunicación analizamos cómo los inmigrantes perciben su propio proceso de integración en tiempos de crisis, centrándonos en tres dimensiones específicas: la inserción residencial, la inserción laboral y la convivencia intercultural.

Miles de ecuatorianos que antes de la crisis llegaron a comprar viviendas en propiedad se ven hoy arrastrados por la quiebra de la burbuja inmobiliaria, y afectados por procesos de embargo y desahucios. Estos inmigrantes, que antes fueron defendidos como funcionales para cubrir amplios sectores profesionales, hoy son tratados a menudo como competencia desleal en el acceso al empleo. Los mismos ecuatorianos que un día fueron presentados como población "culturalmente compatible" con la autóctona, hoy encuentran crecientes dificultades para seguir conviviendo en Sevilla. A través de la descripción etnográfica, analizamos cómo los inmigrantes perciben este retroceso en el proceso de integración y cómo incorporan nuevos discursos sobre su presencia en Sevilla. Además, apuntamos cómo estas nuevas percepciones implican cambios en las expectativas de futuro en España y cómo, consecuentemente, generan estrategias novedosas en la gestión del capital acumulado.

Where to next? An ethnographic account of changing aspirations and migration strategies of Eritrean refugees in Italy and their communities in Eritrea

Autor: Milena Belloni (University of Trento, Italy)  email

Short Abstract

This paper argues that the new migration routes and re-migration strategies of Eritreans in Italy and in their homeland have been influenced not just by the European economic crisis but also by the flow of information between refugees and their families, about life styles in destination countries

Resumo Longo

Based on ethnographic research in Italy and Eritrea, this paper analyses how the perception of the economic crisis in Europe has changed aspirations of Eritreans in their homeland and migration strategies of Eritrean refugees in Italy. In the last ten years aspiring migrants and their families in Eritrea have redirected their life-projects to new destinations in Africa, such as Angola and Uganda, and pushed those Eritreans who have already been recognised as refugees in Italy to migrate further to Scandinavian countries. These are widely recognised as successful destinations because of objective structural advantages of the asylum system (i.e. housing facilities and benefits provided for extended periods of time) compared to the Italian one. Thus, traditional migration routes from Eritrea have changed and recognised Eritrean refugees in Italy continuously attempt to re-migrate to other European countries, even though policy restrictions such as the Dublin II regulations prevent such secondary movements of refugees within Europe. It will be argued that these migration strategies are shaped not only by structural constraints, such as the impact of the economic crisis on the Italian labour market, but also by the continuous flows of information, remittances and imageries (Koser&Pinkerton 2002; Horst 2006) among social networks of young refugees abroad and their families and friends in the homeland. These flows of information produce a "culture of migration" (Cohen 2004; Horst 2006) which sets the goals of migration, the practical ways to achieve them and significantly shapes subjectivities of aspiring migrants in Eritrea and Eritrean refugees abroad

Nova geografia de oportunidades: haitianos no Brasil

Autor: Sónia Reis Pinto (ISCTE - IUL)  email

Short Abstract

A chegada dos migrantes haitianos ao Brasil leva-nos a refletir sobre uma nova geografia de oportunidades nesta região do mundo. Analisamos as condições estruturais que motivam o aparecimento deste fluxo e a influência da retórica da afetividade entre os dois países nos projetos migratórios.

Resumo Longo

Os processos de globalização e descentralização fazem emergir novos fluxos e rotas migratórias entre territórios anteriormente periféricos. A migração de haitianos para o Brasil, que teve o seu início nos meses que se seguiram ao terremoto de 2010, pode ser um exemplo disso. Os números oficiais apontam para menos de 6000 haitianos regularizados até ao final de 2012, sendo que a totalidade não alcança a dezena de milhar de indivíduos. A utilização do pedido de refúgio enquanto estratégia migratória acaba por evidenciar o despreparo das autoridades para lidar com o crescente número de migrantes acumulados nas cidades fronteiriças da Amazónia, criando situações graves de carência. O novo fluxo provoca alarmismo nos media e receios de uma "invasão". O Brasil reage em janeiro de 2012, impossibilitando o refúgio a todos os nacionais da República do Haiti e implementando um novo regime de vistos sob pretextos humanitários. No entanto, a tentativa de contenção destes migrantes contraria a retórica de afetividade criada pelo estado brasileiro por meio de uma série de momentos espetaculares que protagoniza desde a liderança das forças militares das Nações Unidas no Haiti, após o golpe de 2004. Propomo-nos refletir sobre o surgimento do Brasil enquanto destino para os haitianos, oriundos de uma nação cuja economia se baseia em larga medida no investimento em processos diaspóricos familiares.

Who is an Afghan Refugee?: Three stories of Migration to New Delhi

Autor: Sahil Warsi (SOAS)  email

Short Abstract

I trace three Afghan men’s experience of migration to New Delhi, asking how they develop their identity as migrants. The findings indicate complexity not only in reasons for migration but also in notions of belonging, which challenge state-level conceptions of Afghan refugee identity.

Resumo Longo

Growing interest in migration studies in recent decades demonstrates how current social, economic, and political challenges resulting from human mobility dominate academic and policy concerns. These are reflected in US immigration debates on amnesty rights, UK hesitancy over migrants' rights to healthcare, and EU efforts to distill a common asylum system. Anthropological enquiry has been essential in informing these debates, and recent anthropological studies have highlighted the way immigration regimes create migrants as subjects based on ideas of group membership and national belonging. This paper focuses specifically on the category of the 'Afghan refugee', asking to what extent this label corresponds to actual experience of being and belonging to this group.

In this paper I analyze three Afghan men's stories of migration to New Delhi, their life as migrants in the city, and the process of attaining refugee status in India. I draw on personal interviews and observations of how these men live in the city as three specific examples of different ways migrants create a place for themselves using memory, sensation, and desire. In this way, I complicate the flattened, static definition of 'Afghan refugee' and demonstrate the complexity of these men's emergent and shifting identities as migrants. By moving beyond merely analyzing of the gap between the bureaucratic creation of these migrants as subjects and their own personal perceptions of subjectivity, this paper affords critical insight into the migrant experience and poses further questions for development of migration policy.

This painel is closed to new comunicação proposals.