Painéis

(P32)

Famílias transnacionais: mobilidades, identificações e pertenças

Localização Sala 2, Ciências Veterinárias (Map 30)
Date and Start Time 10 September, 2013 at 09:30

Co-Coordenador

Susana Trovão (FCSH/UNL) email
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Resumo Curto

Explorando os modos de acção e significação através dos quais os membros de famílias transnacionais mantêm relações, trocam cuidados, afectos e memórias, gerem conflitos, negoceiam identidades entre Estados-Nações, o painel visa contribuir para a reflexão comparativa sobre famílias transnacionais.

Resumo Longo

A crescente investigação empírica sobre famílias transnacionais tem vindo a sublinhar algumas forças motrizes subjacentes à constituição de vidas familiares construídas adentro e entre mundos sócio-culturais e político-institucionais diferentes: a procura de segurança e de oportunidades; a prestação de cuidados materiais, emocionais e morais; a gestão da sexualidade e das escolhas matrimoniais, enquanto dimensões fundamentais das trocas entre fronteiras raciais, étnicas ou religiosas; o manejo à distância de investimentos emocionais e relações imaginadas; a necessidade de construir identidades e pertenças - familiares, culturais, étnicas, nacionais ou outras. Explorando o impacto de debates globais e de variáveis histórico-nacionais particulares nos valores e práticas de família transnacionalmente constituídas, os modos de acção e significação através dos quais os membros destas famílias mantêm relações, trocam objectos, cuidados, afectos e memórias, gerem conflitos e dinâmicas de poder, reconfiguram e negoceiam identidades (multidimensionais) entre Estados-Nações, o presente painel visa contribuir para o aprofundamento da reflexão antropológica comparativa sobre dinâmicas familiares transnacionais.

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Comunicações

"Sou um cabo-verdiano da Cova da Moura"

Autor: Cláudia Vaz (ISCSP-CAPP)  email

Short Abstract

Com esta comunicação, pretendemos demonstrar, com recurso a uma metodologia qualitativa, que as famílias transnacionalmente constituídas (como é o caso de muitas famílias cabo-verdianas que residem na Cova da Moura) passam por processos de reconfiguração e negociação identitários acentuados.

Resumo Longo

À questão: "Quem sou eu", a 1ª geração de moradores do bairro do Alto da Cova da Moura responde "sou cabo-verdiano/a". Os seus filhos, os que já nasceram cá, dão respostas várias - "sou cabo-verdiano", "sou africano", "sou português", "sou negro", "sou pretoguês", "sou da Cova da Moura".

Estes jovens não deixaram de se identificar com a cultura dos seus pais, com a cultura de origem. É com orgulho que se afirmam cabo-verdianos, que ostentam as pulseiras e os colares de contas de Cabo Verde, que falam crioulo, que utilizam a rua como extensão da casa, que participam nas festas tradicionais, que assistem às actuações do grupo de batuque, que consomem comida típica da terra, etc. No entanto, se não há duas pessoas iguais, também não há gerações-cópia: os filhos da Cova da Moura não são só filhos de Cabo Verde. São filhos de muitas outras coisas, mas são também, eles próprios, pais: criaram a sua Cova da Moura, atribuindo-lhe o significado de nosso chão. Muitos jovens do bairro mostram-no no seu discurso, nas suas acções quotidianas. Criaram símbolos que, por favorecerem o sentimento de união, reforçam a sua identidade étnica e local.

Com esta comunicação, que resulta de uma tese de doutoramento em Antropologia Cultural, pretendemos assim demonstrar, com recurso a uma metodologia qualitativa, que as famílias transnacionalmente constituídas passam por processos de reconfiguração e negociação identitários acentuados.

Afetividades e migrações internacionais. Discussões a partir do caso das famílias caboverdianas

Autor: Andréa Lobo (Brasília University)  email

Short Abstract

A apresentação objetiva analisar o campo das afetividades em contextos transnacionais a partir de pesquisa etnográfica em Cabo Verde. Mulheres que emigram e seus parentes que permanecem no local de origem tecem uma complexa rede de contatos e trocas que os mantêm interligados de maneira intensa.

Resumo Longo

Inúmeros tem sido os estudos que focam contextos migratórios pela via das afetividades - a família transnacional (Vuorela and Bryceson, 2002), o amor familiar na diáspora (Chamberlain, 2009), as relações de filiação em situações de mães emigrantes (Parreñas, 2005), as relações parentais vividas à distancia (Lobo, 2012). O presente paper vem incorporar ao dialogo acadêmico sobre as relações familiares transnacionais duas perspectivas fundamentais a partir de etnografia realizada em Cabo Verde: (1) a emigração se insere num universo de mobilidades que constituem as trajetórias individuais e familiares; (2) as relações afetivas não, necessariamente, se afrouxam com a separação física duradoura dadas as estratégias utilizadas para manter proximidade à distância. O argumento será desenvolvido a partir da análise das estratégias que familiares, especialmente jovens casais, lançam mão para viver suas relações afetivas à distancia.

Boca-a-boca: circuitos informais de transmissão de informação em redes de família e de vizinhança transnacionais

Autor: Sónia Ramalho (CRIA)  email

Short Abstract

A partir da observação e análise de discursos e práticas, fundadas em visitas, conversas ocasionais e telefonemas, esta apresentação visa problematizar os efeitos da troca de informação, transmitida boca-a-boca, em redes de família e de vizinhança transnacionais de São Tomé e Príncipe.

Resumo Longo

Nesta apresentação pretende-se analisar os efeitos positivos e negativos da troca de vários tipos de informação, transmitida boca-a-boca, em redes de família e de vizinhança transnacionais. Para pensar as relações entre pessoas neste contexto, é necessário fazer um exercício constante de alternância entre a transposição e a delimitação de fronteiras nacionais, económicas, políticas, culturais e identitárias. Cada vez mais porosas, mas também marcadas por vários tipos de desigualdades, as experiências de mobilidade e de interconectividade variam no tempo e no espaço (Vertovec 2009; Inda e Rosaldo 2002). Como resposta a este cenário, as pessoas recorrem a grupos e redes como meio de suporte, segurança, reforço de ligações e pertenças, na expectativa de reciprocidade nas trocas materiais e simbólicas (Boyd 1989; Baldassar et al. 2007; Thieme e Siegman 2010). Mas qual o valor dessas informações? De que forma os sujeitos as negoceiam e transformam em oportunidades? Que valores e imagens veiculam? Como interferem nos seus comportamentos e atitudes?

A pesquisa aqui em discussão, sobre famílias transnacionais de São Tomé e Príncipe, situa-se no quadro mais vasto do estudo de processos de globalização a partir de práticas quotidianas e de trajectórias individuais (Brycesson e Vuorela 2002; Inda e Rosaldo 2002). É pois tendo em conta a observação e análise sistemática de discursos e práticas de familiares e vizinhos - fundadas em visitas, conversas ocasionais e telefonemas - cujas circunstâncias socio-económicas são diversificadas e variáveis ao longo do tempo, que se pretende contribuir para o debate sobre famílias transnacionais.

Famílias transnacionais e posicionamentos interétnicos:: uma abordagem comparativa

Autor: Susana Trovão (FCSH/UNL)  email

Short Abstract

Em que medida a identificação com uma dinâmica familiar transnacional particular diferencia o posicionamento dos seus membros no campo das relações interétnicas e interculturais? Experiências inter-étnicas diversas podem constituir uma fonte de negociações e transformações no âmbito familiar ?

Resumo Longo

Em contextos migratórios diferenciados, configurações familiares transnacionais, pautadas por relações e valores de género e intergeracionais distintos, fazendo uso de recursos de classe, culturais e religiosos diversos, de redes e capitais comunitários e transnacionais, deparam-se com diferentes tipos de oportunidades políticas, legais, económicas e inter-étnicas, bem como com modos e níveis diversos de politização e governança da diferença real e/ou imaginada que nelas são projectadas. Começando por deshomogeneizar a própria noção de "família transnacional" de origem imigrante, esta comunicação procura responder às seguintes questões. Em que medida a identificação com uma dinâmica familiar particular tende a diferenciar o posicionamento dos seus membros no campo das relações interétnicas e interculturais? De que modo factores sócio-históricos, políticos e institucionais prevalecentes no actual contexto português contribuem para a diferenciação destes posicionamentos ? De que modo experiências inter-étnicas diversas se podem tornar uma fonte de resistência (à mudança) ou uma força motriz de negociações e transformações (locais e transnacionais) no âmbito familiar ? A discussão apoia-se numa pesquisa comparativa sobre continuidades e transformações nas vidas familiares transnacionais de seis grupos migrantes residentes na área metropolitana de Lisboa: Bangladeshis e Guineenses de religião muçulmana, Caboverdianos e São Tomenses de várias orientações cristãs (católicas e evangélicas), Hindus e Muçulmanos (sunitas) de origem Indo-moçambicana e Sikhs. O impacto de alguns factores composicionais (género, idade, tempo de permanência em Portugal, capitais sociais e pertença religiosa) merece-nos-à algumas reflexões finais.

Famílias transnacionais hindus: transformação e permanência na diáspora

Autors: Rita Cachado (ISCTE-IUL, Lisbon University Institute)  email
Inês Lourenço (CRIA-ISCTE/IUL)  email

Short Abstract

Esta apresentação propõe analisar a problemática da transnacionalidade familiar hindu a partir da transformação dos padrões familiares tradicionais face às circunstâncias sociais e culturais das sociedades de acolhimento.

Resumo Longo

Os contextos transnacionais permitem a criação de novas formas de organização familiar, conduzindo à formação de diferentes padrões de família e também à reconfiguração dos papéis de género no seu interior. Da mesma forma, alteram-se as regras de sociabilidade das relações familiares quotidianas em consequência da adaptação ao contexto social envolvente e à adopção de novos estilos de vida, originando novos códigos de relacionamento no interior da estrutura familiar hindu.

Vivendo simultaneamente em três ou mais países, o contexto da diáspora hindu é particularmente fértil para cruzar uma perspetiva teórica que vá de encontro a temas tipicamente analisados isoladamente como são a transnacionalidade, a mobilidade e a própria diáspora. Eles podem, afinal, ser vistos como pontos de vista complementares sobre as populações com histórias de migrações múltiplas.

Essencial também é ultrapassar as barreiras nacionais, transpondo para a análise a multi-localidade que caracteriza a diáspora, sendo várias as vantagens de acompanhar fisicamente os indivíduos nos seus processos de mobilidade territorial e cultural, ou seja, entre Portugal e a Índia e outros pólos da diáspora.

Face a este contexto múltiplo, procuramos nesta apresentação levantar e responder a algumas questões: tendo em conta a pluralidade de estudo no âmbito da transnacionalidade, o que pode trazer de novo a observação etnográfica destas famílias? Num novo destino migratório, como se configuram e se mantêm as relações familiares com os parentes distantes? Há alguma particularidade das famílias hindus neste domínio? Estas famílias seguem as tendências das famílias transnacionais na adaptação às novas tecnologias da informação?

Gordo ou Integral? Práticas alimentares de imigrantes brasileiros em Lisboa.

Autor: Vânia Pereira Machado (UNL-CRIA)  email

Short Abstract

Estudo dos processos de aquisição, consumo e descarte de alimentos de imigrantes brasileiros residentes em Lisboa numa dinâmica transnacional. Remete aos seus discursos e práticas alimentares, salientando a importância do papel da família e redes do imigrante objetificando-se na sua alimentação.

Resumo Longo

A alimentação e os seus modos de produção como sendo um dos fatores mais difíceis de ser "perdido ou alterado", constitui um campo de análise e simultaneamente um instrumento muito poderoso para a antropologia quando procura estudar mobilidades. Estando os atores dessas mobilidades associados a um país de origem e a um outro país de destino, a alimentação opera na forma como esses atores mantem ou não relação com os que ficaram no destino, mas também com os que encontram. A comida como cuidado, afeto e memória na rede de sociabilidade dos migrantes.

Sendo que que o atual fluxo de brasileiros que vem para Portugal já não é o mesmo que foi no passado, e pode não ser o mesmo que ocorrerá no futuro realiza-se uma pesquisa atual sobre as práticas de consumo de brasileiros no contexto português. A proposta visa mostrar em como a elaboração de uma etnografia dos processos de aquisição, produção, consumo e descarte de bens materiais relacionados com práticas alimentares de imigrantes brasileiros residentes em Lisboa pode ajudar a avaliar em que medida esses processos se articulam com discursos identitários, de pertença e até que ponto a rede social e familiar do imigrante opera nesses mesmos processos. Procura-se a comida como objetificação quotidiana dos sujeitos na dinâmica transnacional e não apenas como algo que remete a uma identidade nacional ou do estado-nação.

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