Painéis

(P27)

Ciganos na península Ibérica e Brasil (PT/ES)

Localização Sala 4, Ciências Veterinárias (Map 30)
Date and Start Time 09 September, 2013 at 09:30

Co-Coordenador

Olga Magano (Universidade Aberta) email
Mail All Co-Coordenadors

Resumo Curto

Debater o conhecimento sobre os ciganos em Portugal e a sua relação com as realidades de outros países, que mantêm com Portugal relações de proximidade como Espanha e Brasil, é algo que muito rara e pontualmente se faz.

Resumo Longo

Debater o conhecimento sobre os ciganos em Portugal e a sua relação com as realidades de outros países, que mantêm com Portugal relações de proximidade como Espanha e Brasil, é algo que muito rara e pontualmente se faz.

Este domínio de estudos aparece geralmente como subsidiário de outros domínios e linhas de investigação, tendendo a ocupar uma posição marginal e até invisível, aparecendo ora associado aos estudos sobre imigrantes, ora a outras temáticas convexas.

Este painel pretende questionar e discutir no referente às realidades destes três países, qual a situação actual e estratégias de reprodutivas, produtivas, migratórias e identitárias que os ciganos enfrentam/constroem e resistem em face de tal situação, quais têm sido os efeitos deste património de saber já acumulado na produção e implementação de medidas e políticas sociais promotoras de uma maior coesão social, assim como, questionar qual o envolvimento e participação dos ciganos nos estudos efectuados. Constitui ainda nossa intenção dar visibilidade aos estudos mais recentes sobre os ciganos portugueses, espanhóis e brasileiros.

This painel is closed to new comunicação proposals.

Comunicações

Percursos migratórios dos ciganos transmontanos

Autor: Lurdes Nicolau (CRIA-Centro em Rede de Investigação em Antropologia)  email

Short Abstract

Os ciganos transmontanos fixaram-se no meio urbano e rural, após décadas de nomadismo. A partir de 1960 emigraram, sobretudo para Espanha, para onde atualmente algumas famílias continuam a deslocar-se sazonalmente, situação que se repete em relação a outras regiões limítrofes da residência habitual

Resumo Longo

Os ciganos transmontanos há várias décadas praticavam o nomadismo, normalmente com percursos circunscritos às mesmas povoações, onde permaneciam algum tempo, dependendo dos meios de subsistência que adquiriam, de uma forma geral advindos da prática da mendicidade.

O seu assentamento ocorreu, no caso mais recente há cerca de trinta anos, em meio urbano, devido a razões de ordem familiar e económica e em meio rural há mais de trinta e cinco anos, podendo no entanto estar próximo dos cem anos nalgumas localidades, embora nestes casos se verificassem deslocações periódicas pelas aldeias vizinhas. As famílias viviam em edificações abandonadas que a população não cigana lhes cedia, muitas vezes afastadas do núcleo populacional. Nestes contextos, a sua aceitação por parte das populações e os trabalhos de cariz essencialmente agrícola que realizavam foram as principais motivações para o seu assentamento.

A partir da década de 60 do século passado um número elevado de famílias ciganas do nordeste transmontano emigrou, sobretudo para Espanha, tendo-se dispersado por muitas províncias. Houve, no entanto, famílias que regressaram ao país de origem anos mais tarde, na década de 80, por razões variadas, tais como o facto de preferirem viver em Portugal ou o desejo de regresso para junto de familiares.

Na atualidade alguns agregados familiares deslocam-se sazonalmente para o país vizinho e para concelhos e distritos limítrofes onde realizam trabalhos essencialmente agrícolas e regressam à sua localidade de residência habitual quando findada a atividade, situação que ocorre quando na sua localidade de residência não conseguem meios de subsistência.

O Outro entre nós: como derrubar muros e construir pontes?

Autor: Maria da Conceição Tomé (Agrupamento de Escolas Viseu Sul / Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (Universidade Aberta))  email

Short Abstract

Apresenta-se um projeto implementado na Escola Básica D. Luís de Loureiro, com 3 turmas do oitavo ano, denominado “Encontrar o Outro nos livros”. Analisam-se as representações do Outro cigano em livros juvenis e a forma como as mesmas contribuem para a manutenção de estereótipos e preconceitos.

Resumo Longo

A relação das comunidades ciganas com a escola foi sempre conturbada devido a factores que se prendem com a forma como esta etnia encara a escola e com a problemática integração das crianças e adolescentes ciganos nas instituições educativas portuguesas. Fruto do investimento na escolarização das crianças desta etnia, encontramos em escolas da zona de Viseu muitas turmas com alunos ciganos, não sendo fácil a coabitação entre estes alunos e os alunos não ciganos, quer na sala de aula, quer fora dela.

Nesta comunicação, apresenta-se um projeto implementado na Escola Básica D. Luís de Loureiro (Agrupamento de Escolas Viseu Sul), com 3 turmas do oitavo ano, denominado "Encontrar o Outro nos livros". Este projeto, da responsabilidade da professora bibliotecária, em articulação com os diretores de turma, desenvolve-se no tempo letivo de Formação Cívica e tem como objetivos promover a formação da cidadania global dos leitores adolescentes pelo encontro com imagens sociais e culturais do Outro presentes em produções literárias de potencial receção juvenil; possibilitar a reflexão sobre temáticas como as minorias étnicas e outras formas de alteridade; desenvolver atitudes de respeito pelo Outro e promover a educação intercultural. Neste contexto, analisam-se as representações do cigano, este Outro que vive entre nós há largos séculos, presentes em produções literárias juvenis portuguesas das últimas décadas e o seu impacto na formação da cidadania global dos leitores. Finalmente, questiona-se o papel da literatura juvenil na manutenção de preconceitos e estereótipos em relação ao Outro cigano.

Teatro do oprimido como ferramenta de inclusão social no bairro Horta da Areia em Faro

Autors: Vânia Martins (Universidade do Algarve)  email
Emilio Lucio-Villegas (University of Seville. Faculty of Education)  email

Short Abstract

O bairro Horta da Areia, situado em Faro, apresenta manifestos problemas de pobreza, sanidade e segurança. Com residentes maioritariamente ciganos, isto gera preconceitos e estigma. O Teatro do Oprimido é uma das ferramentas utilizadas no bairro e apresenta-se os efeitos do mesmo para a comunidade

Resumo Longo

Apresenta-se um estudo realizado num bairro da cidade de Faro, o bairro Horta da Areia. Quando foi criado, o bairro pretendia ser uma solução provisória para albergar famílias das ex-colónias africanas, mas acabou por resistir até aos dias de hoje, vindo a ser ocupado maioritariamente por famílias ciganas. É um bairro situado numa zona periférica e industrial, com manifestos problemas de segurança, sanidade e pobreza. Os preconceitos face aos ciganos do bairro, a pobreza e exclusão social criaram uma má imagem do bairro e seus residentes. A intervenção social aí realizada, provém de um centro comunitário que, desde há dez anos até à data, tem vindo a agir como mediador entre a restante cidade e o bairro.

Expõem-se algumas das características das famílias da Horta da Areia, bem como uma das metodologias que tem vindo a ser utilizada desde 2010 no trabalho com as crianças e jovens: o Teatro do Oprimido. Esta ferramenta permite tratar situações reais pela representação teatral. A oficina veio completar o trabalho realizado pelo centro comunitário do bairro, na intervenção junto dos jovens. Reflecte-se sobre os efeitos do Teatro do Oprimido num grupo de jovens, procurando perceber o que poderá trazer de novo para os seus residentes, nomeadamente se a actividade for alargada a toda a família, já que parece haver uma desunião entre as famílias e pouco sentido de comunidade.

This painel is closed to new comunicação proposals.